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Debate “A floresta de hoje para o futuro”


A ANEFA - Associação Nacional de Empresas Florestais, Agrícolas e do Ambiente, organizou no passado dia 30 de Maio o Debate “ A Floresta de hoje para o futuro”, uma reflexão aos desafios da floresta portuguesa e o reconhecimento do seu valor no mercado e economia nacional.
 
Contávamos com a presença de todos os grupos partidários com assento na Assembleia da República, mas lamentavelmente o representante do Partido Socialista não compareceu, por razões ainda desconhecidas, uma vez que nos tinha sido confirmada a sua presença.
 
Com os representantes dos restantes grupos partidários, o debate levou à apresentação dos programas eleitorais para o sector florestal, sendo uma oportunidade de saber o que dizem os partidos em defesa da floresta de hoje para o futuro.
 
Gonçalo Potier Dias, representante do Partido Social Democrata, demonstrou a sua insatisfação com os atrasos sucessivos do ProDeR, e pelo insuficiente nível de apoio atribuído a produtores e empresários florestais.
A articulação entre o trabalho desenvolvido pelas Zonas de Intervenção Florestal e os dados já recolhidos no âmbito dos Planos de Gestão Florestal foram apontados como solução para o desenvolvimento do cadastro e aproveitamento de recursos.
Consultor agro-florestal e empresário agrícola da região de Coruche, Gonçalo Potier Dias referiu ainda a importância da valorização das externalidades da floresta e da necessidade de envolver toda a sociedade no investimento público de um bem comum.
 
O Secretário-Geral da Juventude Popular, Luís Pistola, também se demonstrou preocupado com a burocracia implícita aos processos do ProDeR e com os atrasos à realização do cadastro, factores que apontou como condicionantes ao desenvolvimento do Mundo Rural.
Como forma de agilizar alguns procedimentos do ProDeR, preconizou que o processo de análise das candidaturas passasse para Organizações de Produtores, facto a que a ANEFA se opõe. Para além das dúvidas quanto à legalidade do processo, consideramos que não se pode continuar a permitir esse modo de utilização dos dinheiros públicos.
O representante do Partido Popular apontou ainda a necessidade de uma interligação entre o Sector Primário e a Industria, e salientou que o Ministério da Agricultura representa o pilar do desenvolvimento do país, não compreendendo por isso, que se defenda a sua extinção.
 
Do Partido Comunista Português, o debate pôde contar com a presença do eurodeputado João Ferreira. O Membro da Comissão das Pescas e coordenador para o GUE/NGL (Grupo da Esquerda Unitária Europeia/Esquerda Verde Nórdica e Membro Suplente da Comissão do Ambiente, da Saúde Pública e da Segurança Alimentar, defendeu um novo posicionamento do Estado perante as suas responsabilidades no sector, acrescentando que é urgente que a floresta saia do “papel”.
Grande entusiasta da aplicação das verbas do Fundo Florestal Permanente directamente na floresta, João Ferreira mostrou-se preocupado com o alastramento do Nemátodo da Madeira do Pinheiro, e com a falta de articulação entre a Investigação e a Produção.
A multifuncionalidade da floresta e nomeadamente do ecossistema montado foi também amplamente valorizada pelo Eurodeputado.
 
José Gusmão, do Partido do Bloco de Esquerda, apresentou as Zonas de Intervenção Florestal como uma das soluções para a estratégia do sector florestal, defendendo a sua participação na obtenção de um cadastro.

O Coordenador do GP e Vice-Presidente da Comissão de Orçamento e Finanças, acrescentou que esta solução pode servir para a redução da despesa pública, uma vez que se trata do aproveitamento de recursos, e mostrou-se sensível aos problemas de abandono da propriedade.
 
Como referido anteriormente, o Deputado do Partido Socialista não compareceu. A ausência de Horácio Antunes, Vice-Presidente da Comissão de Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pescas e Coordenador do Grupo de Trabalho do ProDeR, causou algum descontentamento entre os participantes e a própria organização, que não sentiram por parte do partido do Governo, uma preocupação na defesa dos interesses da Floresta.
 
Em jeito de conclusão, a ANEFA alerta para a destruição e diminuição da área florestal, a que se tem assistido nos últimos 20 anos, comprometendo a sustentabilidade das florestas, e o futuro das próximas gerações. É por isso urgente investir no Mundo Rural, criar mais e melhor floresta e articular vontades entre todos os agentes do sector.
Do debate sobressaiu uma linha comum de preocupações, transversal a todos os partidos, sendo agora necessário dar um passo adiante, e tendo a consciência de que a floresta não se coaduna com ciclos eleitorais de 4 anos, avançar para uma política de liderança, adequada à realidade florestal e às necessidades da economia e da sociedade em Portugal. Fica a questão...onde vamos encontrar o financiamento necessário?
 
Lisboa, 1 de Junho de 2011

Fonte: ANEFA
Publicado em: 01 JUN 2011
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