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A busca pelo ouro negro com ajuda da Trelleborg

Poços mais profundos e padrões de segurança mais rigorosos impõem novos desafios para a indústria de petróleo e gás offshore. Fornecer soluções resulta em oportunidades e recompensas.

A pesar de movimentos em direção a fontes energética renováveis e um clima econômico turbulento, a demanda global por petróleo e gás não mostra sinais de retração. O consumo no mundo desenvolvido pode estar se achatando, mas a demanda na China mais do que dobrará entre 2000 e 2015 e, na Índia, vai aumentar em cerca de 75%.
O debate continua sobre quando o “pico do petróleo” será alcançado, mas a verdade é que uma enorme quantidade ainda está no solo - o suficiente para várias décadas. O problema é que grande parte do petróleo “fácil” já foi encontrado, e a procura por energia está levando a exploração a locais e climas cada vez mais extremos. O setor energético em águas profundas (500 metros ou mais) e ultra-profundas (1.500 metros ou mais) representa uma das principais áreas de crescimento para a indústria de petróleo e gás, mas a exploração dessas reservas apresenta difíceis desafios técnicos.
“Este é um ambiente muito oneroso”, diz John Drury, Diretor de Grupo de Negócios da Trelleborg que tem como foco a indústria offshore. “Os riscos se multiplicam exponencialmente com a profundidade, e as operadoras estão procurando soluções à prova de falhas.”
Um problema com poços profundos é que o petróleo esfria e engrossa no caminho para a superfície, diminuindo o fluxo e podendo causar bloqueios. Uma das muitas linhas de produtos da Trelleborg é a de materiais de isolamento térmico para evitar esse arrefecimento.
“Nossos materiais são projetados para lidar com ambientes de extrema profundidade, além de temperaturas bem superiores a 100º Celsius”, detalha Drury.

A segurança tem sido prioridade para a indústria de petróleo e gás, mas a explosão da Deepwater Horizon no Golfo do México, que resultou em 11 mortes e o maior derramamento de petróleo da história, colocou a questão sob os holofotes.
“As empresas estão aumentando os controles de riscos para evitar esse tipo de incidente”, diz Drury. “Haverá mais oportunidades para nossos produtos relacionados com segurança à medida que a legislação a respeito for sendo introduzida.”
Entre a ampla gama de sistemas de segurança da Trelleborg para a indústria offshore de petróleo e gás há o sistema de dilúvio Elastopipe para proteção contra incêndios, microesferas para eliminá-los e revestimentos flexíveis que retardam o fogo. A Trelleborg também trabalha em soluções inovadoras de flutuação que melhoram a segurança pela redução da carga sobre os longos tubos que trazem o petróleo de até um quilômetro a partir do leito do mar.

A indústria, que responde por cerca de 10% das vendas totais da Trelleborg, tem testemunhado o aumento da globalização, à medida que novos campos em águas profundas são explorados, como no Vietnã, Brasil e África Ocidental.
“No Brasil há grandes investimentos para viabilizar a construção de navios, enquanto historicamente eles são construídos na Coréia do Sul”, diz Drury. “Da mesma forma, no sudeste da Ásia há uma mudança em direção a águas mais profundas e, paralelamente, os países estão procurando desenvolver cadeias de fornecimento locais.” Para aproveitar essas oportunidades, os fornecedores, incluindo a Trelleborg, estão estabelecendo produção nesses novos mercados.
Mas, embora as oportunidades sejam abundantes, a concorrência é mais forte do que nunca.
“Há uma série de projetos em construção, mas a concorrência está agressiva e todos estão muito conscientes sobre as margens”, diz Hegg Thor Eriksen, presidente de Unidade de Negócios voltados para a indústria offshore da Trelleborg. “Isso parece uma contradição para um negócio que faz tanto dinheiro do lado do operador. Mas não há um concorrente direto que seja capaz de oferecer um portfólio tão amplo de produtos a partir de tantos locais como a Trelleborg.”
Os observadores vêem um intrigante período à frente, com expectativa de mudanças na regras de segurança, as petrolíferas internacionalizando-se, a ascensão da Ásia e o aumento de investimentos de perfuração em águas profundas.
“Há mudanças em curso e é um ambiente interessante,” diz Eriksen. “Com nossas competências centrais, capacidade de trabalhar em escala global e extenso trabalho de inovação, a Trelleborg está bem posicionada para almejar as oportunidades à medida que surjam.”

Em ascensão
Com a descoberta do equivalente a um terço de todo o petróleo encontrado no mundo nos últimos cinco anos, o Brasil tem sido amplamente aclamado como o próximo gigante do setor. A Petrobras, que se tornou a terceira maior petrolífera do mundo, em termos de capitalização de mercado, vai investir cerca de US$ 224 bilhões até 2014, principalmente em plataformas e outras obras de infraestrutura.
Para suprir este mercado em expansão, a Trelleborg investe pesadamente no Brasil, com a aquisição de uma fábrica já existente e a construção de outra. “O Brasil está se tornando extremamente importante”, diz Brian McSharry, presidente nos EUA para os negócios da indústria de offshore da Trelleborg. “Estudamos as condições do mercado e reconhecemos o significativo potencial e, como resultado, estabelecemos uma grande presença lá.”
A nova unidade, construída em Macaé (RJ), capital do petróleo do Brasil, vai fabricar uma ampla gama de soluções baseadas em polímeros para exploração de gás e petróleo de superfície e submarino.
“Não há nenhuma outra produção nesta escala no país”, diz McSharry. “Seremos capazes de atingir a capacidade instalada rapidamente, e o tamanho da instalação nos permite expandir, se precisarmos.”
A segunda fábrica, em Santana de Parnaíba (SP), foi adquirida em abril de 2011, juntamente com uma tecnologia de mangueira com conexões para a transferência de óleo de produção flutuante, armazenamento e descarregamento de navios e terminais.
“Esta tecnologia completa nosso portfólio de produtos e soluções”, diz o diretor Xavier-Alexandre Delineau. Outra linha na fábrica irá produzir blanquetas de impressão para atender ao crescente mercado gráfico da América Latina.
A Petrobras estabeleceu metas de produtos locais para seus projetos, de maneira que as fábricas são importantes para a Trelleborg acessar o mercado brasileiro de petróleo e de gás. “Um dos nossos objetivos é ter duas fábricas de classe mundial atendendo o negócio global de offshore e de descarga marinha, e temos um plano para sustentar e desenvolver nossa liderança”, diz Delineau.

Resistente à descompressão explosiva
Quando engenheiros especificam o material de vedação para uma aplicação, eles têm que considerar dados como temperaturas de funcionamento, pressão e compatibilidade com produtos químicos. Em aplicações de petróleo e gás, existem outros critérios críticos a serem considerados, como a descompressão explosiva.
É próprio da vedação de elastômero a existência de espaços vazios. Gás ou misturas de gases em contato com superfícies de elastômero durante o processamento de petróleo e de gás são absorvidos e saturam as vedações. Sob alta pressão, este gás absorvido está em um estado comprimido. Quando a pressão externa é reduzida, o gás comprimido se agrupa em núcleos, inflando nos espaços vazios do elastômero. Dependendo da força e da dureza do material, isso pode fazer com que ele quebre ou rache.
Nenhum elastômero é completamente resistente à descompressão explosiva. No entanto, a Trelleborg projetou a família de materiais de vedação Xplor ™, que demonstra inigualável resistência à descompressão explosiva para cada tipo de elastômero.

Um sistema inovador
A Trelleborg desenvolveu uma nova versão empilhável de seu inovador sistema RiserGuard®, solução para plataformas com espaço limitado de armazenamento, com a mesma alta proteção do sistema original.
“Inicialmente desenvolvemos o RiserGuard para ajudar a proteger articulações dos tubos de subida durante o manuseio na plataforma”, diz Alan McBride, Vice-Presidente de Perfuração do setor offshore da Trelleborg. “Além disso, o produto permite que os tubos sejam manipulados e puxados mais rápido, economizando valioso tempo na plataforma.”
As novas articulações podem ser empilhadas ao lado de articulações flutuantes dos tubos de subida na mesma área de armazenamento, graças a seções de proteção estrategicamente colocadas dentro da RiserGuard que transfere cargas entre as articulações e o convés.
“Sempre ansiosos para atender as mutáveis demandas de nossos clientes decidimos desenvolver uma versão empilhável do produto”, diz McBride.

Jorrando petróleo
O ponto de partida da poderosa indústria petrolífera ocorreu na década de 1850, quando o farmacêutico polonês Ignacy Lukasiewicz destilou querosene a partir de petróleo. Durante séculos, onde é hoje o estado do Texas, os americanos nativos usavam alcatrão de exudações de petróleo para tratar doenças. Na história mais recente, reservas foram descobertas quando os colonos perfuraram fundo procurando água. Inicialmente, o petróleo foi considerado um incômodo, até seu potencial ser identificado.
Como as reservas da região estavam sob centenas de metros de areia, o petróleo era difícil de se extrair. O fluxo era lento e as perfurações eram propensas a ceder.
Na virada do século passado, os engenheiros da petrolífera Spindletop em Beaumont, Texas, tentaram bombear lama no furo perfurado, em vez de água, para lavar o cascalho da perfuração. A lama prendeu-se nos lados do buraco e protegeu-o do colapso. O resultado foi histórico. Em 10 de janeiro de 1901, após um barulho parecido com um tiro de canhão, lama, gás natural e petróleo foram disparados para fora do solo em um jorro que subiu a uma altura de 50 metros. Lucas 1, como o poço foi chamado, inicialmente jorrou a uma razão de cerca de 100 mil barris por dia, mais do que todos os outros poços produtores dos EUA somados.

Publicado em: 05 OCT 2012
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