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Uma Floresta que vale milhões! - Comunicado da ANEFA


Apesar da época crítica de incêndios florestais que se aproxima, é certo que cada vez mais a floresta ganha uma importância singular, muito para além dos fogos.
 
O sector florestal português é sem dúvida uma fonte de grande riqueza e investimento sem igual. Com uma ocupação de mais de 38% do território nacional a floresta deve ser reconhecida do seu ponto de vista ambiental, económico e social, pela sua contribuição para a promoção da biodiversidade, combate à erosão, no seu papel como sumidouro de carbono, mas sobretudo no peso que desempenha para a economia do país.
 
A floresta portuguesa representa assim cerca de 3,2% do PIB, 12% das exportações nacionais, 250 mil trabalhadores e 400 mil proprietários florestais, resultando num sector competitivo, gerador de empregos com expressão relevante ao nível nacional e local.
 
A par da provada e reconhecida importância, surge inexplicavelmente uma falta de interesse e despromoção da floresta. Em vez do incentivo ao património verde que ainda temos, continuamos a assistir à criação de estruturas de planeamento, programas, planos de acção e demais instrumentos de política que na prática não funcionam, servindo apenas para burocratizar e deixar completamente disfuncional um sector que se quer operacional, ágil e produtivo.
 
Em vez de se tornar imperativa a criação de valor e o incentivo ao investimento, apregoa-se a Certificação Florestal como a salvação do sector e a promoção da Industria com a valorização efectiva de mercado, o que não é ainda uma realidade concreta. Neste âmbito, esperava-se que fossem “gratificados” os fornecedores que investiram em sistemas de certificação, nomeadamente de gestão florestal, o que não se verifica na totalidade, acabando por descredibilizar forçosamente todo o sector, remetendo para o supérfluo o esforço e empenhamento dispendido na obtenção de uma certificação por parte das empresas que querem desenvolver o seu trabalho com base em processos produtivos e sustentáveis.
 
E perguntamos nós quem paga esta sustentabilidade paliativa? Paga o Estado, e pagamos todos nós, contribuintes.
Adicionemos a este ponto a importação de madeira, mais um descrédito à floresta nacional que teima em prevalecer ao investimento e valorização de um sector repleto de implicações sociais, ambientais e económicas. Fica prejudicado o proprietário, o prestador de serviços e o próprio Estado, mas acima de tudo, perde a floresta nacional, que uma vez mais se vê a desperdiçar competitividade e potencial.
 
Deixemo-nos de ser “pequeninos” e de pensar que a imputação do que corre mal é sempre de terceiros. A conjuntura actual e a crise económica a que se assistiu nos últimos anos, não pode mais servir de “desculpa” para continuar a marginalizar a floresta nacional.

A sustentabilidade deste bem comum depende de todos, Produtores, Empresas, Estado e Indústria.
Se há os instrumentos e a vontade por parte dos produtores, porque se perdem oportunidades e ajudas por direito, apenas por burocracia excessiva que continua a impedir a criação de valor?
Se os prestadores de serviços querem trabalhar com dignidade e apostando na modernização e capacitação das suas empresas, porque nunca se conseguiu implementar um quadro de referência pelo qual estejam definidas e reconhecidas formalmente, as suas competências e responsabilidades?
Se o Governo actual declama o seu compromisso com o sector primário, porque continua a renegar o envolvimento de todos os agentes?

Se a Industria afirma a sua capacidade de investimento com novas unidades fabris, porque não valoriza mais a matéria-prima nacional, como impulso à reflorestação e à sustentabilidade da nossa floresta?
Se é um esforço conjunto, parece-nos despropositado e desencorajador que se continue a preferir importar madeira, do que a investir na floresta em Portugal. Mas a verdade é que tem sido essa a política dos últimos tempos. Se até 2009, se justificava o constate preço baixo, por tonelada de madeira, pela reduzida valorização do preço da pasta (cerca de 350/ 450 euros a tonelada), hoje esses argumentos não são aceites, pois temos assistido a um crescente evoluir desse sector (actualmente acima dos 700 euros por tonelada de pasta), margem mais do que suficiente para a valorização da matéria-prima nacional.
 
No entanto, e contrariando o espectável, o valor pago pela madeira continua em baixa, deixando sem capacidade de negociação o empreiteiro florestal e o produtor. Como se pode pedir mais aos agentes do sector, se não se consegue fazer valer objectivos em comum? Se é no limite, a floresta um bem essencial para a actividade destas grandes massas, promova-se então esse bem.
 
Pague-se um preço justo e competitivo à madeira, que incuta nos produtores e prestadores de serviços o empenho em produzir mais e melhor. Incentive-se a florestação, imprimindo as mais-valias do Mundo Rural, com a criação de novos postos de trabalho, e a sua relevância na mitigação das alterações climáticas.


Comunicado da ANEFA
Published on: 09 JUL 2010
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