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Dados preliminares do Recenseamento Agrícola 2009

Agricultura portuguesa, em processo de ajustamento estrutural, com um recuo de 500 mil hectares mas com aumento da área média das explorações em 2,5 hectares.   Os dados preliminares do Recenseamento Agrícola de 2009, recentemente disponibilizados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), mostram que a área ocupada pela produção agrícola em Portugal correspondia a cerca de 50 por cento da superfície territorial nacional - 4,6 milhões de hectares. Este valor representa um recuo de meio milhão de hectares.

Em 2009, os recenseadores do INE apuraram a existência de 304 mil explorações agrícolas em Portugal. Este valor resulta do desaparecimento de 112 mil explorações, cerca de 25 por cento das existentes no estudo anterior (1999). Conjugados só dois factores anteriores, conclui-se que a área média das explorações agrícolas aumentou 2,5 hectares, para 11,9 hectares, o que garante economias de escala e torna a produção mais competitiva.

Mesmo assim, o sector continua a evidenciar imensos contrastes. Por exemplo, o facto de três quartos das explorações agrícolas portuguesas terem uma dimensão média abaixo dos cinco hectares, enquanto "um reduzido número de explorações (cerca de 260), com mais de 1000 hectares, exploravam, em 2009, 12% do total da superfície agrícola útil (SAU).

Predominância familiar

O INE assinala que, apesar das mudanças na paisagem agrícola portuguesa,  80% do volume de trabalho realizado no sector continua a depender da mão-de-obra familiar, reforçando assim a permanência do retrato do agricultor típico como factor dominante. No entanto, as explorações que já funcionam como empresas devidamente estruturadas, apesar de serem apenas 2% do total, cobrem uma área que representa 25% da SAU.

No espaço de dez anos, o panorama agrícola português conheceu uma evolução sensível. O INE assinala uma redução significativa das terras aráveis e o aumento das pastagens permanentes, em termos relativos e absolutos.

Os principais recuos evidenciados pelo censo encontram-se nas culturas industriais (por ex. beterraba), na batata e nos cereais. Também na fruticultura se verifica uma redução (25%) da área para a produção de frutos frescos tradicionais, enquanto sobe (17%) a que é dedica aos frutos sub-tropicais, com o kiwi como líder deste incremento. A mudança do quadro de ajudas à produção, no âmbito da PAC, será uma das explicações para esta evolução. Ao mesmo tempo, verificam-se aumentos na utilização de área agrícola para culturas forrageiras, hortícolas, flores e plantas ornamentais.

Do lado da pecuária, os resultados preliminares do censo agrícola mostram que Portugal tinha, em 2009, 5,8 milhões de cabeças de gado, menos 1,4 milhões do que dez anos antes. O definhamento do efectivo animal é portanto de cerca de 20%. O volume de bovinos em exploração manteve-se perto de 1,4 milhões de cabeças, salientando-se as perdas significativas ocorridas nos suínos e nos ovinos. Neste caso, a concorrência estrangeira, com explorações de muito maior dimensão, apresenta preços muito mais competitivos a que os produtores portugueses não conseguem dar resposta.
Segundo os resultados deste censo, o sector agrícola continuou a envelhecer em Portugal: a idade média do produtor aumentou quatro anos e cerca de metade dos agricultores têm mais de 65 anos. As mulheres são apenas um terço do universo profissional do sector.


A actividade continua a não ser totalmente compensadora. Apenas 6% dos agricultores obtêm o seu rendimento exclusivamente da actividade e 64% declararam, no censo, que recebem pensões e/ou reformas.   Para aceder ao texto integral do Destaque do INE clique aqui
Publicado em: 16 JAN 2011
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